Mulher bonita em alemão

Luz em Kiev

2020.09.27 19:12 leodellapasqua Luz em Kiev

Gente preciso de ajuda, eu tenho salvo essa história de Kiev mas não encontro ela em nenhum lugar, eu gostaria de encontrar o criador dessa história se puderem me ajudar segue a baixo a história
Luz em Kiev
sec 2002 meu nome não importa estou aqui pra contar uma história da minha familia tenho descendência alemã e meu falecido avô lutou na guerra ele voltou meio pirado, sabe? é comprovado que alguns soldados voltam com trauma da guerra mas ele foi diferente ele nunca mais falou e nunca mais piscava o olho os olhos sempre pareciam que procuravam alguma coisa e ele nunca andou sem a Lüger dele eu nunca vi ele sem aquela pistola voltando a historia é da familia, mas quem contou a primeira vez foi um amigo dele, que lutou junto só eles dois sobraram o amigo dele também tava abalado se matou alguns meses depois de voltar pra casa mas vamos começar tudo começou na invasão da Rússia meu avô era parte de um pelotão condecorado, eles tinham lutado na Polônia e na França e quase ninguém tinha morrido eles eram respeitados por todo mundo, até os soldados de elite viam eles como iguais por causa dessa fama, os planos mais difíceis ficavam com o pelotão do vovô mas até aí tudo bem a invasão começou eles estavam destroçando os russos e já estavam lutando a algumas semanas um dia contataram o comandante do pelotão tinha um floresta em um pântano soviético perto de Kiev todo mundo que entrava lá não voltava então ne lá foram eles falaram que quando chegaram lá na frente todo mundo se arrepiou não passava nenhuma luz na floresta o ar parecia mais pesado um barulho pior que o outro mas o pior, pelo que disseram era que, ocasionalmente eles ouviam gente gritar até às vezes vinham uns tiros antes e o pelotão do vovô nunca soube de onde vinha ou quem eram mas, missão era missão começaram com o básico o pelotão tinha um panzer(tanque) de estimação o nome dele era "Alt Frau" significa Velha Senhora aquele panzer e a tripulação eram vividos o tanque era cheio de furo, arranhão mas a marca dele eram as esposas de cada tripulante pintados na frente do tanque estimulava os pilotos, sabe? se acertasse o tanque, acertaria as mulheres isso motivava os caras mas voltando mandaram o tanque primeiro ficaram esperando na frente da floresta, e deixaram o tanque rodar um pouco vocês devem estar pensando "mas um tanque não atola no pântano?" eu também perguntei isso mas como eu já disse a tripulação era vivida só atolariam se errasem e eles nunca erravam o tanque começou a rodar de noite o pelotão fez um acampamento na beira e esperou só ouviam o barulho do motor a floresta não fazia som nenhum passou algumas horas, e só o som do motor os soldados ja tinham até acostumado por isso estranharam quando tudo ficou quieto o tanque parou e o motor foi desligado todo mundo se entreolhou a Velha Senhora achou alguma coisa e ficou muito tempo assim os homens ficaram nervosos ansiosos a floresta continuava quieta apenas o estalar da fogueira quebrava o silêncio então o grave som de uma explosão o tanque disparou eles ouviam a MG34 do tanque disparando e não parava olharam pra floresta, e viam alguns clarões dos tiros e ouviam o comandante gritando se eram ordens ou não, ninguém sabia mais um tiro do canhão a MG não parava de atirar e então silêncio os clarões pararam a MG parou o canhão não disparou mais o motor não ligou silêncio o mais puro e tortuoso silêncio os soldados estavam nervosos uns suavam, outros seguravam a arma com força alguns ja tinham comecado a orar, baixinho e um grito ecoa pela floresta um grito de dor, sofrimento passou cortando por nós dentro da gente despertando medo agonia terror. um grito de desespero. quase animalesco o canhão dispara mais uma vez para nao mais aquela noite. os homens esperavam a ordem era o panzer voltar ao amanhecer nenhum de nós teve a coragem de dormir seja por medo ou respeito ao tanque ninguém dormiu . . . meio dia. o tanque não voltou o clima entre o pelotão tava ruim quase ninguém falava se falassem era um cochicho muito baixo e continuou assim até o anoitecer quando chegaram novas ordens agora a infantaria ia la dentro todos se olharam mas ordem é ordem prepararam as coisas e foram 50 soldados entraram na floresta e foram avançando estranhamente, os passos não faziam barulho não havia o farfalhar das folhas os galhos quebrando não havia som algum. só pararam de andar quando ficou escuro mas tão escuro, que não dava pra ver a própria arma ninguém tinha se atrevido a acender um sinalizador >para conseguir enxergar então meu avô falou, pela primeira vez desde que os soldados entraram ele apenas chamou os homens pra perto e quem tivesse acendesse um sinalizador ouviram o raspar do pavio do sinalizador três vezes a luz vermelha ia ficando mais forte e foram chegando perto uma da outra os soldados que seguravam a luz sentaram e esperaram os outros chegar também meu avô chegou sentou mais alguns chegaram e ninguém falou nada a luz estava estranha ela estava muito forte mas não iluminava eles conseguiam enxergar só os companheiros e vagamente, ainda os sinalizadores estavam apagando e só tinham 6 soldados eles nem se perguntaram nem se tocaram so formaram um círculo e acenderam mais um sinalizador não falaram nada então uma risada bem longe nada grotesco, ou histérico uma risada comum aquela risada, de quando contam algo engraçado pra você bem calma, a risada ia chegando perto os homens prepararam as armas não dava pra saber de onde vinha só que chegava perto até que o dono da risada apareceu atrás do vovô era um soldado russo todo maltrapilho roupa rasgada todo sujo e ria olhando pra luz sem tirar os olhos dela ria, igual criança quando ganha presente mas seus olhos não sabiam dizer se era felicidade ou loucura mas ele chorava ria e chorava a boca ria, expressava felicidade mas os olhos você via apenas loucura então ele parou de rir mas manteve o sorriso no rosto e disse algo em russo bem baixinho e passou a mao na cabeça do vovô igual quando você faz carinho em uma criança que está triste bem calmo, bem leve ele andou um pouco para trás com o sorriso no rosto puxou uma pistola do coldre e apontou pra própria cabeça e repetiu as palavras de antes então puxou o gatilho. ele não fez barulho quando caiu no chão. os soldados se olharam levantaram a risada do russo presa a cabeça deles o sorriso gravado na mente mas só o meu avô estava com medo ele era o único que falava russo e foi o único que entendeu "Luz. É bonita. Pena que acenderam" e eles continuaram a andar. . . . horas se passaram andando às cegas sem ver onde pisavam quando meu avô bateu em alguma coisa e caiu no chão deu um grito pra avisar que achou alguma coisa mas não pediu pra acender a luz. foi apalpando a coisa era de metal e grande sentiu uns arranhões era a Velha Senhora. não aguentou mandou acender um sinalizador talvez essa seja a coisa que ele mais se arrependa >em toda a guerra. alguém do lado dele acendeu e ele pode ver o gigante de ferro cheio de corpos em cima. um ja estava caído no chao os outros pareciam que estavam querendo fugir estavam mutilados destroçados e havia pânico nos seus rostos. subiram no panzer foram ver la dentro e, quando o vô abriu a escotilha alguém gritou. o piloto ainda estava la dentro com a perna mutilada e uma pistola na mão seus olhos expressavam loucura. ele não falava. o soldado do sinalizador chegou mais perto pra ver e inclinou o sinalizador pra ver lá dentro o piloto se apavorou começou a gritar pra apagar, enquanto se contorcia >pra tirar o sinalizador da mão dele o soldado se afastou, meio assustado enquanto o piloto ficava cada vez mais apavorado pedindo para apagar meu avô tentava acalmar o piloto mas ele se debatia, gritava, xingava então ele pegou a arma e atirou no soldado. meu avô gritou e apontou a própria arma pro piloto enquanto o corpo do outro soldado caía do tanque o piloto parou de gritar só chorava e no meio do pranto, perguntou, bem baixinho "por quê vocês acenderam?" e ficou chorando e repetindo até que alguma coisa balançou o tanque todo mundo se calou os soldados que restavam, prepararam as armas em volta do tanque silêncio ouviram uma respiração pesada de dentro do tanque ouviam um suave farfalhar como se alguma coisa estivesse se arrastando o piloto olhou para cima para meu avô só havia tristeza em seus olhos "corra. Por favor." e ficou repetindo meu avô estava paralisado o piloto é puxado para o fundo do tanque para a escuridão ele começou a gritar, enquanto disparava com a pistola meu avô pulou do tanque e começou a correr os outros seguiam ele correndo e, no meio da correria o piloto parou de gritar. parou de atirar. e o sinalizador no chão ao lado do corpo do soldado. . . . correram por muito tempo só pararam quando não aguentaram mais correr tentaram se encontrar na escuridão quando finalmente encontrou alguém acenderam um sinalizador o coração do meu avô parou só pensava no que o russo e o piloto disseram olhou em volta só tinham mais dois além dele se perderam dos outros? sentaram no chão meu avô tirou a ração de combate da mochila e começou a comer não porque queria ele estava sem fome nenhuma mas ele precisava os outros fizeram o mesmo. comiam, olhando pra luz em silêncio. . . . ouviram gritos e tiros parecia um outro grupo levantaram correndo e foram na direção dos tiros o tiroteio continuava mas quanto mais perto eles chegavam mais raros ficavam os sons quando chegaram lá ja não tinha mais nada. de repente um pouco a frente deles um soldado alemão acendeu um sinalizador estava sangrando, mancando com a arma na mão jogou o sinalizador no chão seus companheiros estavam no chão mortos. dilacerados. olhava em volta aflito meu avô e o grupo dele olhavam de longe o soldado continuava procurando alguma coisa deu uma rajada na floresta e, em um piscar de olhos alguma coisa grande pulou da floresta antes que ele se virasse ja tinha sido levado à escuridão não teve tempo nem de gritar. agora havia apenas um sinalizador e corpos no chão. silêncio. . . . meu avô apoia no ombro do seu amigo e o sinaliza para ir eles se viram dão de frente com o outro soldado ele continua olhando pra frente os olhos arregalados nem se mexe meu avô o chama ele nao se mexe chamou novamente sem resposta meu avô puxa ele ele cai no chão suas costas estão abertas atrás dele alguma coisa grande essa parte ninguém sabe sempre que tentavam falar meu avô chorava e o amigo dele travava eles nunca conseguiram falar disso. pelo que sabíamos, por alguns desenhos era gigante tinha pelos escuros mas era esquelética não tinha olhos e dentes do tamanho de uma mão. ao vê-lo eles travaram ninguém se mexia o medo os impedia de mexer qualquer músculo a coisa chegou perto do vovô e se inclinou chegou perto do rosto dele muito perto aquilo não fazia som nenhum só estava ali parado o sinalizador começou a apagar e nenhum dos três se mexia até ficar a escuridão total e a coisa a centímetros do rosto do vô ficaram ali sem se mexer no silêncio. . . . não sabem quanto tempo passou mas uma hora ouviram vozes distantes mas vozes e uma luz vermelha ao longe fraca mas o suficiente para ver a silhueta daquilo ainda parada ali então, ela se virou e foi na direção da luz. lentamente até sumir entre as árvores. e eles continuaram ali parados. só acordaram com os gritos e os tiros vindos da direção da luz começaram a correr inconcientemente, só corriam meu avô parou quando uma luz o cegou e sons muitos esperou os olhos acostumarem e olhou em volta saiu da floresta. alguns instantes depois, seu amigo mas o vô não riu nem chorou nem falou nada ele não expressava nada estava sério com os olhos levemente arregalados e ficou assim até o último dia de sua vida preso naquele momento naquele infernal momento que ele nunca mais esqueceu
submitted by leodellapasqua to historias_de_terror [link] [comments]


2020.04.21 00:15 flagr97 Relato de um mochilão pela América Latina - Parte 3

Relato de um mochilão pela América Latina - Parte 3
Anteriormente:
Parte 1
Parte 2

E aí meu povo, hora da parte 3. No final da última parte, terminei relatando que cheguei 20:30 numa pousada ridiculamente barata na minúscula cidade de Joaquin Gonzáles. Até agora esse foi meu trajeto:
Destaquei as cidades nas quais pernoitei
Essa cidadezinha merece um destaque pelo rolê mais aleatório possível: Fui jantar em um restaurante do lado da pousada. Vi que o preço da cerveja estava bom porque pensava que fosse de no máximo 600mL. Era de 1L. E vamos de alcoolismo.

Enquanto meu prato estava sendo preparado, vi um senhor tentando falar inglês com a atendente, que falhava miseravelmente em tentar entender. Fui ver com ele se ele queria ajuda pra que eu traduzisse, ele aceitou, depois de tudo entendido ele me convidou para a mesa com o seu amigo e a dona da pousada que eles estavam ficando, que ele ia me pagar uma taça de vinho pela gentileza que fiz. E vamos de alcoolismo

Dois homens, alemães, que estavam percorrendo a américa latina de moto, um deles só falava alemão, então a ordem da mesa era: Ele falava alemão pro amigo, que falava inglês pra mim, que falava espanhol pra dona da pousada, tudo isso enquanto bêbados.

Rendeu muitas risadas, mas precisava dormir, porque amanhã eu necessitava chegar a Jujuy o quanto antes, pois já tinha perdido uma noite que já tinha confirmado com um host do couchsurfing, que entendeu a situação quando mandei mensagem pra ele.

No dia seguinte, estava um tempo horrível, mas fui pra beira da estrada do mesmo jeito. Ninguém parava, que maravilha...

Resolvi ir caminhando até a rodoviária pra ver quando tinha ônibus. Eram 8 da manhã, o próximo era 13:00, com uma conexão ridícula que eu só chegaria em Jujuy tarde da noite (???), voltei pra beira da estrada, uns tornados de areia estavam se formando, pra ajudar.

Eis que para um caminhão e me chama, eu acredito que o caminhão tenha partido do céu, pois 2 minutos depois que eu entrei nele, começou a cair o mundo de chuva. Ele ia me levar até Guemes, uma cidade mais ou menos 1h de Jujuy.

Até dei opções na plaquinhas
Funny story: o caminhão estava indo para Guemes buscar pedras para as obras na ferrovia, justamente as obras cujo responsável foi o homem que me deu carona no dia anterior!

Em Guemes, ele me deixou do lado da rodoviária, vi que tinha um ônibus em 1 hora, resolvi pedir carona mais uns 30 minutos e se não tivesse sucesso, ia de ônibus. Eis que a cidade parecia bem perigosa e veio um noiado pedir dinheiro pra comprar cerveja, me intimidando mas no final me deu uma colher (???). Fiquei com receio e resolvi ir pra rodoviária.

Eu simplesmente APAGUEI no ônibus, quando acordei pensei ter perdido meu destino, mas chegaríamos em 10 minutos, acordei na hora certa!

Chegando em Jujuy, por ser capital de província, pensei "deve ter WiFi" (eu não tinha chip de internet argentino, por mais que era ridiculamente barato). Não tinha, nem lugar pra vender, e agora?

Meu host tinha me mandado seu endereço, beeem longe da rodoviária. Resolvi ir na barraca de informações turísticas pedir qual ônibus eu precisava pegar, lá, explicando minha situação, as meninas que trabalhavam se ofereceram pra ligar pro meu host pra eu falar com ele, queridas!

Falei com meu host, que comentou que estava bem próximo dali, e que ia me buscar. Encontrei ele junto com um casal de espanhóis que também iam se hospedar com ele por uns dias. Conversamos bastante.

Vale explicar um pouco sobre esse host: É um senhor de uns 70 anos de idade, que faz 2 anos que sua esposa faleceu, como seus filhos estão em Mendoza estudando, ele naturalmente se sentia muito sozinho, para "burlar" isso, resolveu abrir sua casa (gigantesca) para o couchsurfing, em 2 anos ele hospedou mais de 500 pessoas. Contou que já teve finais de semana que tinham 10 pessoas ao mesmo tempo em sua casa, ocupando todos os quartos e acampando no quintal. Ele é a pessoa mais gente boa que eu já conheci, nos tratando como seus filhos.

Ele é medico, e tem uma mulher que cozinha refeições pra ele, que vai todo dia buscar no centro, com seus potes. Ele e os espanhóis estavam buscando a comida, me pegaram e fomos para sua casa.

Lá, conheci mais uma guria que estava hospedada com ele. Malaia. Com isso a situação das línguas era engraçada: Na maioria do tempo era falado espanhol, porém quando a Malaia estava na conversa, era em inglês. E ainda, a espanhola tinha feito intercâmbio pra Portugal,falando português comigo.

De noite, os espanhóis me apresentaram sua ideia: Naquela região há várias cidadezinhas históricas e com várias opções de turismo, portanto foi sugerido de alugarmos um carro para explorar, como estávamos em 3 para isso, anunciamos no couchsurfing, onde rapidamente encontramos mais um cara parceiro. Então no dia seguinte partimos para alugar um carro.

Naquela região a cultura de dar carona era MUITO maior, e toda hora tinha gente pedindo carona na estrada para ir para essas cidadezinhas, inclusive quando estávamos com o carro, demos carona para umas 5 pessoas no total, eu acho. Dentro dos vários lugares, o ponto principal foi o Cerro das 14 cores, muuuuito lindo:
É uma pena que eu sou daltônico...
Na volta, o nosso companheiro do CS que foi junto (e era de Jujuy) estava louco para que provássemos "Humita" a todo custo, porém em cada cidadezinha que parávamos, QUANDO tinha, era muito caro, ele só falava bem desse prato então naturalmente fiquei curioso. No final das contas deixamos pra pegar no próximo dia em Jujuy mesmo, que seria mais barato.

No outro dia, ainda tínhamos a manhã com o carro, fomos para uma lagoa muuuito bonita:

Papel de parede do Windows
Na volta, devolvemos o carro e fomos catar as famosas "Humitas", fomos em um mercado de rua NEM UM POUCO higiênico, mas lá tinha as humitas, compramos.

Para a minha decepção, aquilo lá era PAMONHA só que com outro nome. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Continua...
PARTE 4: https://www.reddit.com/brasil/comments/glo5pa/relato_de_um_mochil%C3%A3o_pela_am%C3%A9rica_latina_parte_4/
submitted by flagr97 to brasil [link] [comments]


2018.10.08 16:24 luiz_brenner Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada. (Rafael Azzi)

Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?
Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?
Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?
Pois bem, vou contar uma história.
O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.
Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.
Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.
A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.
Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.
Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranóicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.
Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.
Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.
Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fakenews.
Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?
Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.
Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.
Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fakenews, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.
Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?
Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.
Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.
Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.
Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.
Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.
Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”
Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.
Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.
Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.
Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.
Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”
Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.
Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”
Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.
Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.
P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.
submitted by luiz_brenner to brasilivre [link] [comments]


2018.01.29 16:06 cobawsky Portugal/Lisboa e os Brasileiros, preconceito ou cultura? Esta foi a minha experiência.

Olá amigos do /Brasil, uma vez por ano eu venho aqui postar alguma coisa. Pois bem, eu moro na Europa faz um tempo, vim a trabalho e gosto bastante de viajar por aqui por ser um amante da história e este ser o "Velho Continente". Vim visitar uns amigos na Espanha e como é tudo muito perto eu aluguei um carro e fui para Lisboa, já que parte da minha família emigrou da região e eu queria conhecer algo por lá.
Vamos ao assunto...
Fomos com uma amiga que estuda na Espanha mas morou e trabalhou em Lisboa para poder pagar as contas, ter um pouco de laser e etc... Ela acabou optando por estudar a segunda etapa na Espanha devido a má experiência que teve em Portugal. Minha primeira impressão foi de uma cidade bem 'completa'. Geografia mista, arquitetura bem interessante, e claro, muitos turistas e ainda mais agora que ando vendo propagandas de Lisboa em várias agências de viagem pela Europa. O depoimento dessa amiga sobre sua experiência em Lisboa (e em algumas partes de Portugal) era de que Brasileiro é bem descriminado por ali, a fama é de que 'as mulheres são putas e os homens vagabundos'. Que "ficar com brasileira é fim de festa e você quase não encontra portuguesas ou portugueses em relacionamento com brasileiros". Dizia que foi muito mal tratada quando trabalhava em uma gelateria na cidade, sendo menosprezada e discriminada várias vezes. Não só por estar em um subemprego mas também por ser brasileira (mulher). Eu sou bem cético com toda opinião alheia, e ainda mais pelo fato de que essa pessoa era uma alguém que eu havia conhecido fazia tipo dois dias por ser uma amiga em comum de um casal de amigos meus que mudaram para Espanha para terminar o mestrado (este casal já conheço de longa data do Brasil, são amigos próximos). Realmente não sabia se ela era uma daquelas malucas que recebe tudo com negatividade por onde quer que vá, creio que vocês sabem do tipo de pessoa que estou falando, trouble makers. Pois bem, tendo essa parte explicada, vamos para a minha experiência.
Eu normalmente prezo por um atendimento (talvez qualquer pessoa faça o mesmo? Não sei) que seja pelo menos básico. Pode ser até que a comida demore, mas se pelo menos conseguimos fazer o pedido nos primeiros 10 minutos no lugar eu já fico tranquilo pois já passei a batata quente pra mão do garçom. Fui a um shopping, já que não sou muito do luxo, passei por 3 restaurantes e nada de ser atendido. Um deles fui até o balcão, a atendente me pediu pra sair por que não podia sentar lá dentro, sabe-se lá por que, e mesmo assim ficou no caixa contando moedas e não veio me atender por mais ou menos 10 minutos. Fui embora sem comer. Depois fui a um outro restaurante que haviam angolanos no balcão. Ali funcionou, a comida MUITO boa e o atendimento nota 7,5. Até aí, pensei que era algo cultural, pensei: "vai ver a coisa funciona assim aqui mesmo, eu sou de fora, não cabe a mim querer mudar mas aceitar e aproveitar a viagem". Eu sou bem tranquilo, não costumo reclamar muito e aceito bem o ambiente ao meu redor.
Ok, depois de perambular pela cidade e ser oferecido todo tipo de droga ao pé da orelha, especialmente por ser brasileiro. Notei que, antes de oferecer, eles chegam mais perto para tentar saber que tipo de língua estávamos falando. Notei que isso acontecia com pessoas de outros países também, quando o traficante falava a mesma língua, ou vai ver era do mesmo lugar sei lá. Vi sim alguns brasileiros pelas ruas com um certo comportamento duvidoso. Ouvi algumas conversas que realmente remetiam-se à algumas coisas estranhas, prefiro não especificar o que. Dava pra notar que eram brasileiros mesmo, pelo sotaque e comportamento. Mas enfim, ninguém me amolou fora os traficantes.
No final da noite, antes de tomar a estrada pra voltar pra Espanha fomos comer em uma Tasquinha (um pequeno restaurante de bairro). Um amigo nosso que vive lá já faz uns anos ligou para reservar mesas (uma prática comum por toda a Europa). Ao chegarmos o restaurante estava cheio e o garçom, que era também o dono, foi um pouco rude dizendo que não haviam mesas e mais nada disse, mesmo tendo dito que ligamos pra reservar. Meu amigo virou pra mim e disse que não era com ele que havia falado ao telefone. A esposa do dono, que estava na cozinha veio até nós, bem educadamente e nos disse para aguardar lá fora que já iriam liberar as mesas. O atendimento com ela foi acima da média. Éramos 5 e na mesa haviam 6 cadeiras. Estávamos próximos da porta e eles haviam arrumado o restante das mesas para acomodarem uma boa galera que estava pra chegar. Não dá pra explicar muito bem mas, as pontas das mesas meio que estavam muito próximas e quem quer que se sentasse nas duas cadeiras da ponta iria meio que trancar um pouco a passagem, mas nada super complicado que não desse pra se espremer um pouco pra passar. O lugar era bem pequeno. Como cheguei primeiro, pensei que quem chegasse depois poderia se virar com a cadeira na passagem ou até mesmo já termos ido embora e o problema estaria resolvido. Mas não, o dono me pediu pra mudar de lugar pra não trancar a passagem e novamente não muito educado. Eu não ligo de mudar de lugar, mas acho que a maneira em que se pede é importante. Não entendi nem por que colocou uma sexta cadeira ali já que éramos 5, pra ser bem sincero. Os portugueses chegaram pra comer, o atendimento era outro, educado e de prontidão, e para nós, demorado muito e de má qualidade. Rolou até um "haja paciência com brasileiros" da boca do senhor. Meus amigos até quiseram levantar para reclamar e eu pedi pra se acalmarem e não esquentarem a cabeça que daqui a pouco a gente já iria embora. Juro por tudo que é mais sagrado nesse mundo que eu respeito tudo e todos, sou super educado com todos. Por favor e obrigado vivem comigo o tempo todo, sou uma pessoa de bem com a vida, e os amigos que estavam comigo tem mais ou menos o mesmo espírito. Eu fiquei sem entender até agora o motivo do tratamento.
Bom, o texto já virou um livro. Resumo da ópera, tive uma má experiência em Lisboa. A cidade é bonita mas me ofereceram muitas drogas. Tipo, eu FUMO maconha, mas eu não estava lá pra fumar maconha, eu fumo uma vez por mês. Mas já estava cansado ser parado a cada 5 metros pra tentarem me vender algo. Se tivesse sido tipo 2 vezes até vai, mas era a todo momento ali no centro. E aconteceu o mesmo com vários amigos que estavam conosco. O atendimento foi péssimo. Eu sei que pra capitais na Europa (até no Brasil) a coisa nunca é as mil maravilhas, a não ser que vá em restaurantes caros. Aí no Brasil (digo por São Paulo) você não precisa ir pra restaurante 5 estrelas pra ter atendimento de primeira. Especialmente em Sorocaba, que é de onde venho. Eu estive em vários países por aqui e nunca passei por isso. Espero que eu esteja mal acostumado com o atendimento alemão, mas espero que tenha sido um mal dia em Lisboa, apenas isso.
É triste ver que uma parte dessa galera que emigrou para Lisboa tenha criado essa má reputação sobre nós todos. E infelizmente, perdi minha vontade de voltar para Lisboa, não posso dizer Portugal, mas acho que não volto pra Lisboa. Uma pena. Até agora tinha tido muitas experiências boas na Europa toda, foi a primeira vez em muito tempo. Se o objetivo de alguns de lá é espantar turistas brasileiros de Lisboa, funcionou bem comigo. A estratégia está ó, bem boa.
Opiniões? Algum português por aqui?
submitted by cobawsky to brasil [link] [comments]